domingo, 21 de junho de 2009

AGENTES PENITENCIÁRIOS

Ao receber um email com cenas fortíssimas de corpos dilacerados e decapitados de um dos presídios brasileiros, após um choque entre facções, pus-me a pensar no dia-a-dia dos nobres companheiros que cuidam internamente dos nossos estabelecimentos penais, dividindo conosco – policiais militares (segurança externa) a responsabilidade por estes verdadeiros "barris de pólvora".

Pais de famílias que enfrentam cotidianamente esse universo extremamente cruel, onde pessoas com débitos sociais, isolados, vivem em condições sacrificantes, levando em consideração (na grande maioria) a insalubridade, insuficiências de espaço e a obrigatoriedade da convivência com outras pessoas portadoras de desvios de conduta e às vezes até de doenças.

Ao encaminhar as macabras fotografias aos meus contatos fiz as seguintes considerações:
Nos posicionamos das mais variadas formas quando uma classe entra em greve para buscar melhorias de condições de trabalho e salarial.
Lamentavelmente na grande maioria das vezes não fazemos uma análise profunda da situação e por certo em outras, nos posicionamos sentimentalmente ou racionalmente, mas quase nunca analisando de forma profunda o quadro.
Faz parte da nossa natureza, o que queremos geralmente é nos posicionarmos. Temos nos últimos tempos, aprofundado nas questões relacionadas à violência e a criminalidade, e sempre um emaranhando de problemas emergem em causas tão delicadas. Verificamos alguns posicionamentos contraditórios, vez que boa parte das pessoas são verdadeiros contribuintes para as causas, entretanto, é certo que as raízes em sua grande maioria, encontram no próprio Estado, a área fértil para proliferação, o que necessariamente deve impulsionar toda a sociedade para uma discussão ampliada, a fim de que possam nascer "luzes" em tão largo e distante túnel.
Essas observações vão de encontro às imagens anexadas.
Além de pertencer a esta sofrida e injustiçada classe de operadores da segurança pública, onde estão inseridos os nossos companheiros AGENTES PENITENCIÁRIOS, nós POLICIAIS MILITARES, POLICIAIS CIVIS, BOMBEIROS MILITARES, GUARDAS MUNICIPAIS, sem significativa representatividade no Poder Legislativo Federal e Estadual e mesmo no Poder Executivo, ficamos a mercê das autoridades desse país.
Indas e vindas das discussões sobre a PEC 300, mobilizam operadores da segurança pública em particular os policiais militares, em busca de adeptos "legisladores representativos".
Legisladores esses que vão surgindo, aqui e acolá, muito timidamente, lamentavelmente não tão empolgados como nas discussões levadas a efeito Brasil a fora, quando legislam em causa própria - em seus aumentos salariais e de seus privilégios.

Enquanto isso a Segurança Pública no Brasil, caminha bem ou mal, pela vontade firme, cotidiana e pronta de seus abnegados operadores.

Mas como todo povo brasileiro, temos esperança. Esperança de que um dia poderemos voltar a sentir aquela sensação de segurança de outrora, talvez até utópica, mas nunca deixará de ser – esperança.
Aos companheiros Agentes Penitenciários que convivem rotineiramente com o quadro que verão os meus sinceros cumprimentos, respeito e consideração pelo devotado serviço que prestam à causa pública e a sociedade de um modo geral.
Estamos concorrendo com a monografia intitulada AS POSSIBILIDADES DE UMA VERDADEIRA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL POLICIAL NO BRASIL, dentro do Eixo Temático nº. 3 - Valorização profissional e otimização das condições de trabalho do Concurso de Monografias, relativas ao I Prêmio Nacional de Monografias em Segurança com Cidadania Professora Valdemarina Bidone de Azevedo e Souza da Conferência Nacional de Segurança Pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça.
É a nossa modesta contribuição nas discussões que deverão ser travadas no maior colóquio relativo ao tema, desde que ingressei na Polícia Militar do Maranhão em 05 de março de 1981.

São Luís-MA, 19 de junho de 2009.
TEN CEL PMMA CARLOS AUGUSTO FURTADO MOREIRA
Chefe do Estado Maior do Comando do Policiamento Regional 1

Um comentário:

  1. Prezado Cel. Furtado,

    Gostaria que o nobre fizesse ou refizesse uma leitura nos artigos "Greve dos Penitenciários" e "Por uma gestão penitenciária não policialesca", publicados nos jornais de grande circulação nesta capital, assim como no meu blog. Se puder ler também a revista Carta Capital desse domingo, tb tem uma excelente matéria sobre a possível terceirização dos serviços correlatos à Administração Penitenciária, onde constam críticas diretas e indiretas, mas o posicionalmente firma do governo do estado de Minas Gerais em torno da situação, onde vislumbro pontos salutares da decisão tomada por parte daquele governo, cujas críticas, dantes fazia de forma contunda, mas "embreagado" por conceitos acadêmicos divorciados da realidade nacional e por que não mundial pertinentes.
    Acredito que podemos extrair outras interpretações do contexto, sobretudo tendo como base a experiÊncia por quem já viveu e conviveu dentro e fora do Sistema Penitenciário brasileiro, seja já como agente de segurança penitenciária, como gestor do maior presídio do Norte/Nordeste brasileiro (Presídio Prof. Aníbal Bruno em Recife) ou como gestor mais representativo de gestão penitenciária deste estado(Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária/SEJUC) afora inúmeros cursos realizados em torno da matéria, participação de eventos afins etc.Daí, hoje possuir "outras" conclusões e fundamentações diante do contexto.
    Contudo, parabens pela produção, pois se remete a mais uma reflexão, embora as imagens (fotografias) tb vistas, não me dizerem muitas coisas em razão de perspectivas diferentes nas avaliações experienciais correspondentes.
    Abs,
    Sebastiao Uchoa

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