terça-feira, 26 de junho de 2018

INSTALAÇÃO, DIPLOMAÇÃO E POSSE DOS MEMBROS DA ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES - AMCLAM

                 No dia 20 de junho de 2018, o salão de eventos do Grêmio Lítero Recreativo Português na Praça João Lisboa, foi palco de um dos eventos culturais mais significativos ocorridos ultimamente na Athenas Brasileira, a solenidade de instalação, diplomação e posse dos membros imortais da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares – AMCLAM.

Intitulada “Casa do Brigadeiro Falcão” é um sodalício cultural cujos membros integrantes fazem parte da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) e personalidades maranhenses que com estas instituições, possuem laços fraternos de amizade, todos possuidores de habilidades nas ciências sociais, letras e artes.

A solenidade iniciou-se com a composição da mesa, integrada pelo Coronel RR Furtado – Presidente da AMCLAM, Coronel Luongo – Comandante Geral da PMMA, Promotor de Justiça Teodoro – Representando o Procurador Geral de Justiça (Promotor de Justiça Luiz Gonzaga), Coronel RR Jesus – Vice Presidente da AMCLAM, Procurador de Justiça Aposentado – Raimundo Marques, Promotor de Justiça Aposentado Clésio Muniz – Presidente do Conselho Fiscal da AMCLAM, Cel QOPM Aritanã – Comandante do CPAM-3 e TC FAB Renato – Representante do CLA (Cel FAB Luciano).

                                
Em seguida procedeu-se o acendimento das luzes, representando a sabedoria, realizada pela Sra. Fabiane dos Santos Santana Moreira, esposa do Presidente, Cel Carlos Augusto Furtado Moreira da Reserva Remunerada da Polícia Militar do Maranhão.


             
    Aberta a sessão, os presentes cantaram o hino nacional brasileiro, executado pela Banda de Música da PMMA.
             
    Em seguida o primeiro secretário da entidade, Professor José Olímpio da Silva Castro fez a leitura das memórias históricas dos trabalhos preliminares para a instalação da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares - AMCLAM.
     Na sequência foi diplomado o presidente por sua esposa, Sra. Fabiane dos Santos Santana Moreira e seus genitores, Sr. José de Ribamar Moreira e a Sra. Isabel Furtado Moreira e logo em seguida Acadêmicos por suas madrinhas e padrinho com o Diploma de Acadêmico Efetivo Perpétuo.

                                           



ORD
ACADÊMICOS EFETIVO PEPÉTUO
01
Carlos Augusto Furtado Moreira
02
Alberto José Tavares Vieira da Silva
03
Wilmar Maciel Mendes
04
Jose Olímpio da Silva Castro
05
Francisco Sousa
06
Antônio Roberto dos Santos Júnior
07
Francisco Marialva Mont’Alverne Frota
08
Jorge Allen Guerra Luongo
09
Wermeson Pinheiro Barbosa
10
Raimundo Ferreira Marques
11
Raimundo Gomes Meireles
12
Pedro Ivo de Carvalho Viana
13
Sebastião Bispo Lopes
14
Fuad Alexandre Amate
15
Clésio da Gama Muniz
16
Raimundo de Jesus Silva
17
Gilmar Vale Frazão
18
Manoel Lobato Oliveira
19
Afonso Celso do Nascimento
20
Carlos Frank Pinheiro de Oliveira
21
Ebnilson Costa Carvalho
22
Laércio Marques do Nascimento Filho
23
James Ribeiro da Silva
24
Vera Lúcia Bezerra Santos
25
Francisco Rodrigues
26
Márcio Henrique Teixeira
27
Franklin Pachêco Silva

Obs: os Acadêmicos em destaque, não tomaram posse em razão de problemas de saúde.

             O juramento foi proferido pelo Vice Presidente, Cel Raimundo de Jesus Silva e acompanhado por todos os Acadêmicos:
                          
                “Como membro efetivo e perpétuo da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares / comprometo-me, / sob a ordem feliciana / produzir comprometido, / em busca de assertivas / ao evoluir sócio-cultural humano e civilizador, / sob princípios éticos, / de honestidade e responsabilidade, / de união, pacificação, / socialização de saberes / e alimentos, / com linearidade / paradigmaximizativa / de oportunidades subsistenciais / e de acessos,/ independentemente de origens, / línguas, / funções e gêneros, / harmonizando-se / em assertivas integrativas à natureza, / de necessidades bioéticas /co-existenciais à sobrevivência / das espécies bioeletroquímicas / que compõem o micro e macrocosmo, / encontrando no planeta, / uma célula, /de um decifrável universo / em sincronicidade, / onde eu, /como comfrade, / assumo neste ato, / imortal responsabilidade / transcodificadora / ao religar / cosmobiopsicosóciocinesiológico”
               Após o juramento, os Acadêmicos já imortalizados trocaram entre si, cumprimentos acadêmicos iocinergéticos.

                           


                 O Dr. Fuad Alexandre Amate realizou a saudação, falando em nome de todos os Acadêmicos diplomados.

Em seguida uso da palavra, o Cel Jorge Allen Guerra Luongo, Comandante Geral da PMMA que enfatizou a importância que a AMCLAM possui para a corporação e para a cultura maranhense, vez que integra policiais militares com habilidades nas ciências, letras e artes.

                           
                 Já o Cel Furtado, historiador e idealizador da Academia, discursou:
                          
Senhoras e senhores. Boa noite.
Fundamentado em normativas a mim facultadas estatutariamente, neste ato, dou posse vitalícia aos escritores, pesquisadores e artistas militares e civis, nestes 20 dias do mês de junho de 2018,  nesta cidade de São Luís, no Estado do Maranhão,  atribuindo-se lhes as prerrogativas de imortalidade acadêmica da Ordem Feliciana,  às suas cadeiras, nomes, obras e patronos.
Concretiza-se nesta data na presença de vós, lídimos representantes da sociedade maranhense, a realização de um sonho.
Sonho este acalentado a mais de 33 anos quando iniciei minha atividade formativa ao frequentar o Curso de Formação de Oficiais na Polícia Militar do Estado de Minas Gerais em 29 de janeiro de 1985.
Portanto, essa é uma noite especial, pois ficará marcada nos anais da história e de nossas vidas. Inauguramos de forma transcendental a nossa imortalidade científica, literária e artística.
Agradeçamos ao nosso maravilhoso Deus por essa realização, pois, se não fosse por sua permissão, nada disso seria possível.
Por outro lado, é de fundamental importância agradecer à todos que direta ou indiretamente, contribuíram para esse acontecimento, nossos familiares, os Acadêmicos e aos parceiros.
Ademais, a todos nós não faltou fé, esperança, disciplina, superação, empreendedorismo, ousadia e coragem para realizar o que era necessário ser feito.
Superamos a nós mesmos, embora que alguns duvidassem da nossa capacidade. Vivemos em uma sociedade altamente competitiva, submetida aos conflitos e crises existenciais, ao estresse emocional, à pressão psicológica, aos medos, aos fracassos, ao cansaço, às cobranças, às responsabilidades, ao estresse profissional e às incertezas do amanhã, portanto, tudo isso custou um alto preço, hoje plenamente recompensado.
Anos de dedicação, cada um produzindo aquilo que sua capacidade intelectiva pode ofertar a seus semelhantes.
Aquela ansiedade desde quando iniciamos as nossas reuniões e contatos, é passada agora como um filme, onde palmilhamos as adversidades pela falta de crença de alguns, pelo ineditismo, mas sobretudo por acreditarmos em nós mesmos de que seria possível.
Estamos aqui hoje para festejar o término de um importante ciclo que iniciamos há algumas décadas e coroarmos nossos esforços, pois o que parecia uma eternidade, agora é uma realidade.
Esperamos estar à altura dos nossos patronos que com suas vidas gloriosas, dignificaram a sociedade maranhense e brasileira, vocês que testemunham essa noite gloriosa prometemos dar o melhor de nossos esforços para seguir as suas trajetórias retilíneas, sinceras e honestas.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, nos quiseram bem e nos apoiaram nos difíceis momentos.
Desejo a todos nós, muita paciência!
Nem tudo será tão rápido, mas, haveremos de legar o melhor de nós.
Desejo muita sorte, porque somado ao talento, a vontade e ao amor, haveremos de cumprir tudo o que estamos nos propondo.
Obrigado!

Em seguida os Acadêmicos posaram para foto oficial.

                        
               Finalizando a solenidade a banda de música da PMMA brindou a todos com clássicos da música popular brasileira.
                        

ACADÊMICOS

ORD
ACADÊMICO EFETIVO PEPÉTUO
ATIVIDADE PROFISSIONAL
01
Afonso Celso do Nascimento
Tenente PMMA
02
Alberto José Tavares Vieira da Silva
Desembargador Federal Aposentado e Professor Universitário
03
Antônio Roberto Santos Júnior
Major PMMA
04
Carlos Augusto Furtado Moreira
Coronel PMMA RR
05
Carlos Frank Pinheiro de Oliveira
Ten Cel PMMA
06
Clésio da Gama Muniz
Promotor de Justiça Aposentado
07
Ebnilson Costa Carvalho
Sargento PMMA
08
Francisco Marialva Mont’Alverne Frota
Professor Universitário Aposentado
09
Francisco Sousa
Coronel PMMA RR
10
Fuad Alexandre Amate
Juiz Auditor Militar Aposentado
11
Gilmar Vale Frazão
Sargento PMMA RR
12
Jorge Allen Guerra Luongo
Coronel PMMA
13
Jose Olímpio da Silva Castro
Professor Universitário
14
Laércio Marques do Nascimento Filho
Professor Universitário
15
Manoel Lobato Oliveira
Capitão PMMA RR
16
Pedro Ivo de Carvalho Viana
Func. Público Federal (aposentado)
17
Raimundo de Jesus Silva
Coronel PMMA RR
18
Raimundo Ferreira Marques
Procurador de Justiça Aposentado
19
Raimundo Gomes Meireles
Capelão do CBMMA
20
Sebastião Bispo Lopes
Tenente Coronel PMMA RR
21
Wermeson Pinheiro Barbosa
Major PMMA
22
Wilmar Maciel Mendes
Coronel PMMA RR
23
James Ribeiro da Silva
Tenente Coronel PMMA
24
Vera Lúcia Bezerra Santos
Professora Universitária
25
Francisco Rodrigues
Subtenente PMMA RR
26
Márcio Henrique Teixeira
Delegado de Policia Civil
27
Franklin Pachêco Silva
Coronel PMMA RR


BRIGADEIRO FALCÃO, O HOMEM VIRTUOSO QUE EMPRESTARÁ SEU NOME A ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES


         
            Em um dia como este, 31 de maio, no ano de 1810, nascia em São Luís do Maranhão, Antônio Feliciano Falcão, filho do brigadeiro Manuel Antônio Falcão que em virtude do posto e dos encargos que possuía no Exército Português, residia com a família no Quartel do Campo do Ourique (5º Batalhão de Infantaria, construído no período colonial entre os anos de 1793 a 1797), na região da cidade onde atualmente se encontra compreendida a área desde o início da Praça do Panteon, na Rua Rio Branco (antiga Rua dos Remédios) até o fim das Avenidas Gomes de Castro e Silva Maia, abrangendo os espaços ocupados pelo Colégio Liceu Maranhense, SESC, a Biblioteca Benedito Leite e parte da Praça Deodoro (outrora Praça da Independência), segundo o professor Euges Lima do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. 
             Desde o seu nascituro, em razão das preocupações de seu pai com a segurança das duas vidas, sua e de sua genitora, a senhora Maria do Carmo Monteiro que manifestara os sintomas de que estava prestes a hora do parto, sem que a parteira se apresentasse, dirigiu-se a um grupo de soldados que lhe acercavam a porta da residência e perguntou-lhes se algum destes se atrevia a receber a criança, voluntariando-se, um destes, latagão reforçado e corpulento que mais tarde, soube tratar-se de Antônio, barqueiro, conhecido que vangloriou-se de receber em seus braços, um verdadeiro herói.
           São nas palavras do Dr. Antônio Henriques Leal, autor da obra Pantheon Maranhense – Ensaios Biographicos, publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1874, a descrição dos motivos ensejadores que rodeavam Falcão para seguir a carreira militar:”..estava, pois predestinado a seguir as armas, a que o attrahiam os mui poderosos incentivos que o rodeavam: a família, cujo chefe era militar; o lugar onde folgava – destinado para os exercícios das tropas; seus brincos – as balas e os canhões; a musica que o despertava e o acalentava – os toques das cornetas e dos clarins, o rufar dos tambores, o estrondo da artilheria, e os gritos das sentinelas: o ambiente, por fim, que muitas vezes respirava n’essa atmosfera impregnada de fumo da pólvora.”
             Aos três anos já havia sentado praça e sido reconhecido como Cadete (26 de outubro de 1813), aos 10 anos promovido a Alferes (04 de julho de 1820), aos 13 anos a Tenente (12 de outubro de 1823) e aos 15 anos ao posto de Capitão (03 de maio de 1825).
           A época era delicada e vidrosa porque os espíritos estavam inquietos e abalados de comoções, contestações, dissenssões e ódios fermentados quando lhe foi confiado o comando da guarnição de Caxias, cuja posse ocorreu a 19 de março de 1828, conseguindo num prazo de um ano reestabelecer em todo o Distrito, perfeita tranquilidade, segurança individual e da propriedade, e a confiança dos povos nas instituições.
          O culto do dever, o espírito reto e imparcial que se manifestara desde os mais verdes anos, desenvolveu-se e fortaleceu-se no dia-a-dia, nobilitando-o, conservando-se puros e inquebrantáveis. A boa fama, a estima e saudades de todos os caxienses, fez com que o governo lhe entregasse o comando do 11º Corpo de Artilharia de Posição que embora não fosse à sua arma, foi lhe confiado porque necessitava de que o disciplinasse e o adestrasse nos exercícios militares, cuja comissão exerceu de 19 de setembro de 1829 a 17 de maio de 1831, quando entrou para o 15º Batalhão de Caçadores.
            Poucos meses depois ocorrendo um motim entre as tropas aquarteladas no Campo do Ourique, onde o Capitão Falcão, notando a frouxidão do Comandante das Forças, apresentou-se no conflito voluntariamente com seu piquete, primeiro de que qualquer outro, declarando-se a favor das autoridades constituídas, impedindo com o risco da própria vida que as tropas aquarteladas cedessem aos apelos dos amotinados, o qual foram vencidos.
          Posteriormente, foi criado em São Luís, capital da Província, a Companhia de Guardas Municipais Permanentes, onde assentaram praça muitos filhos das principais famílias, cuja tropa lhe foi conferido o comando desde 22 de janeiro de 1832 até 21 de junho de 1836, cujo interregno de tempo gozava de boa reputação, exemplar organização e instrução.
           Com as crescentes necessidades da Província de um corpo mais desenvolvido e que tivesse a seu cargo todo o policiamento, em face dos graves problemas de segurança pública que ocorriam com a fuga de escravos das fazendas que se embrenhavam nas matas, organizando-se em hostes agressivas (quilombos) causando enormes prejuízos à lavoura, semeadura do terror entre as populações do interior da Província e que se juntavam a índios bravios, fez com que os deputados provinciais Antonio José Quim, José Joaquim Rodrigues Lopes e Manoel Gomes da Silva Belfort, na legislatura de 1836, subescrevessem um Projeto de Lei, criando no Maranhão, um Corpo de Polícia, sob o comando de um major, com um efetivo de 644 praças, divididas em quatro companhias. 
          Discutido amplamente o projeto foi convertido na Lei Provincial nº 21 de 17 de junho de 1836, sancionada pelo presidente Antonio Pedro da Costa Ferreira (depois Barão de Pindaré) que desta forma criou o CORPO DE POLÍCIA DA PROVÍNCIA DO MARANHÃO com jurisdição provincial e que é a gênese da atual POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO. (VIEIRA FILHO, 1975)
             Feliciano Falcão foi nomeado por Portaria de 23 de junho de 1836 e comandou a força policial até 30 de novembro de 1841. Em sua biografia, consta: ”... a força provincial podia servir de modelo em todos os sentidos, e nem invejava ao melhor corpo de linha. Era uma garantia e segurança para todos, um auxiliar poderoso no descobrimento de criminosos, na execução das ordens do governo, na manutenção da tranquilidade pública. Todas as horas d’este brioso militar, todas as suas vigílias, cuidados e cogitações empregava-os nos negócios d’esse Batalhão, que creára, organisára e instruíra. Sem embargo de ser seu filho mimoso, nem por isso o tractava com mais indulgencia e vigiava menos para que não descahisse um apice sequer. Tudo passava por suas vistas e mãos, e de tudo cuidava – do rancho, do fardamento, do soldado na moléstia: attendia às queixas d’elles e ás dos particulares, e ai do que incurria no seu desagrado por quebra de disciplina, por abusos ou por frouxidão; que não havia dobrar o justiceiro comandante para que aliviasse o delinquente do castigo que lhe marcava! Quem não viu ou não soube que Falcão, nas noites escuras e tempestuosas, por baixo de chuva e descalço, a fim de que não o pressentissem, rondava as ruas da cidade para observar se as sentinelas estavam a postos e as rondas nas suas diligencias? Dahi também ganhou esse Corpo tamanha confiança e fama que  ninguém se atrevia a afrontar as leis em presença de um soldado de policia, e era bastante um ou dous para que qualquer ajuntamento de povo se contivesse nos limites da ordem ou se dispersasse quando lhe era isso intimado. Que distancia immensa não vae do Corpo de Policia comandado por Falcão do que foi ele depois? Que de transformações se têem operado n’elle de então para cá!...
            As subelevações e revoltas foram frequentes no tempo da Regência (entre 1831 a 1840) e a Balaiada (revolta popular ocorrida no Maranhão entre 1838-1841), fez com que paralelamente ao comando do Corpo de Polícia da Província, Feliciano Antonio Falcão fosse nomeado a 13 de março de 1839, comandante das operações pelo presidente da Província, Manuel Felizardo de Souza e Mello. Neste levante em um ataque nas Areias, a duas léguas da Vila do Munim, um covarde oficial incumbido de flanquear os rebeldes e ataca-los pela retaguarda deixou de cumprir suas ordens fazendo com que quase mil homens fossem mortos e feridos, por outro lado, fugiu-lhe ao devido apoio o Comandante da Brigada, Coronel Sergio, a cujas ordens obedecia e quem deveria mandar tropas em auxílio da guarda avançada, pois do lugar em que se encontrava, estava com o grosso do exército e de lá era ouvido o som da mosqueteria e das cornetas; apesar de tudo isso Falcão não recuou, ao contrário avançou e depois ao receber reforços do então Alferes Antonio de Sampaio (morto, brigadeiro na campanha do Paraguai) recebeu o batismo de sangue, cobrindo-se de louros e feridas, recebidas com denodo, calma e desprezo da vida. Posteriormente o escritor dr. Domingos J. G. de Magalhães (barão de Araguaya) que servia de secretário do general (Duque de Caxias), demonstrou em Memória Histórica da Revolução do Maranhão com argumentos e provas irrecusáveis, a inocência de Falcão, vigando a sua memória.
           Posto a margem, por intrigas, foi designado para uma secretaria de guerra, mesmo assim a 9 de outubro de 1839 foi promovido a major. A 07 de março de 1840, o coronel Luiz Alves de Lima e Silva, Comandante das Armas do Maranhão, que não se deixava iludir por insinuações, descobrindo as boas qualidades de Falcão, o tirou do ostracismo, dispensou-o da comissão administrativa e o nomeou a 19 do mesmo mês de março, para tomar conta do acampamento de Vargem Grande, infestado de rebeldes, com 500 praças sob seu comando e a 13 de agosto já estava no comando da terceira coluna em operações quando foi condecorado com o oficialato da Imperial Ordem de Rosa pelos serviços prestados à pacificação da Província.
           Retornando a capital, a 15 de março de 1841 foi nomeado Prefeito de Polícia e a 18 de julho foi promovido a tenente coronel (cuja efetividade foi confirmada em 07 de setembro de 1842), onde a 20 de novembro conseguiu ser exonerado depois de muito instar por isso.
            De 16 de dezembro de 1841 até 31 de janeiro de 1843 foi-lhe confiado o comando do 7º Batalhão de Caçadores e como tal passou novamente a comandar a guarnição de Caxias.
            Foi designado para comandar o 5º Batalhão de Fuzileiros, o qual reorganizou e elevou-o a um grau elevado de disciplina, pois nas cidades, como nos campos de batalha, deixavam bom nome, tornavam-se simpáticos às populações, ao mesmo tempo em que os desordeiros e malfeitores os temiam, e os potentados e influências eleitorais os respeitavam, porque eram de todos os conhecidos os brios do 5º e sabia-se que seu comandante não transigia com as parcialidades políticas e nem contravinha às ordens legais das autoridades constituídas.
            O 5º Batalhão de Fuzileiros foi transferido para a Província de Pernambuco em 1848 e ali Falcão e seus comandados prestaram relevantes serviços, onde o governo imperial, o premiou a 05 de maio de 1849, com a Imperial Ordem do Cruzeiro e de Comendador da Roza, sendo a 18 de novembro do mesmo ano promovido ao posto de Coronel, por distinção.
             Em solo estrangeiro contra Oribe e Rosas (episódio de uma longa disputa entre Argentina, Uruguai e Brasil pela influência do Paraguai e hegemonia na região do Rio da Prata), o 5º destacou-se na batalha de Monte-Caceros, integrado a segunda brigada da divisão brasileira, sob o comando do bravo maranhense.
           A 03 de março de 1852, Falcão foi elevado ao posto de brigadeiro e a 14 de junho recebeu a dignatária Imperial Ordem do Cruzeiro e as medalhas da campanha do Rio da Prata.
             A 06 de dezembro de 1852 foi nomeado diretor do Arsenal de Guerra da Corte e a 17 do mesmo mês, Membro do Conselho de Administração para Fornecimento do mesmo Arsenal, função que exerceu por pouco tempo porque sua presença contrariava os especuladores e seus protetores, a corrupção até então desenfreada ia de encontro a sua conduta de incorruptível, probo e excessivamente zeloso de sua reputação. Mantendo a performance consagrada, foi exonerado a 11 de abril de 1853 e nomeado Comandante das Armas de Pernambuco a 11 de maio do mesmo ano.
             Falcão caprichava em suas obrigações, pontual em seus atos, pundonoroso, se melindrava ao menor reparo ou advertência. Contrariando os planos políticos do presidente de Pernambuco, recebeu em 19 de junho uma reprovação com muita aspereza, o que veio a lhe causar uma congestão cerebral tão grave que dela veio a sucumbir. 
           Vítima de seus princípios e caráter, expirou este bravo guerreiro, legando a pobreza suas irmãs, a quem sempre servia de arrimo, modesto, solitário e pobre, serviu a pátria com amor e exemplar dedicação. Vivia dos seus soldos, entretanto sua bolsa estava sempre aberta para os necessitados. Conservou-se sempre solteiro, por julgar-se na obrigação de manter o legado de seus pais, seus irmãos necessitados e órfãos como ele.
            Seus restos mortais foram transportados à sua terra natal e em 16 de agosto de 1855, por iniciativa do negociante João Pedro Ribeiro que mandou-lhe fazer um pomposo funeral na igreja São João, onde presentes, ilustres maranhenses, foi recitada nénia poética da lavra de Augusto Cezar dos Reis Raiol e poesia de Trajano Galvão de Carvalho, ao exemplar militar.
São luís – MA, 31 de maio de 2018

Carlos Augusto Furtado Moreira

 Licenciado em História, Bacharel em Direito, Especialista em Gestão Estratégica em Defesa Social e em Cidadania, Direitos Humanos e Gestão da Segurança Pública.


Referências:

BARROSO, Gustavo. Guerra do Rosas: 1851-1852. Fortaleza: SECULT, 2000

JANOTTI, Maria e Lourdes Mônaco. A Balaiada. São Paulo: Brasiliense, 1987. 74p.

LEAL, Antônio Henriques. Pantheon Maranhense – Ensaios Biographicos. Lisboa: Imprensa Nacional, 1874.

FAUSTO, Boris. A Regência (1831-1840). História do Brasil 13ª ed. São Paulo: EDUSP, 2008.

LIMA, Euges. Desvendando São Luís, a planta da cidade de 1958. Disponível em: <http://ihgm1.blogspot.com/2017/12/desvendando-sao-luis-planta-da-cidade.html>. Acesso em: 31 mai 2018.

VIEIRA FILHO, Domingos. A Polícia Militar do Maranhão: Síntese Histórica. Rio de Janeiro: Olímpica, 1975. 106p.

Caros amigos

Poder expressar-se é a oportunidade de compartilhar conhecimentos adquiridos ao longo de nossa existência, portanto, sejam benvindos as minhas considerações profissionais.