terça-feira, 17 de abril de 2012

AS VELHAS PRÁTICAS POLÍTICAS ATRASANDO O PAÍS

Ao se aproximarem as eleições municipais, as movimentações nos bastidores diariamente divulgadas pela imprensa e pelas redes sociais, cristaliniza o reinício de uma prática deplorável e condenável na política desse país: o leilão de cargos.

As alianças costuradas em busca de um maior espaço na mídia (tempo de propaganda política eleitoral que possuem os partidos políticos), os cargos e as verbas (fundo partidário), são negociadas pelos candidatos e/ou seus emissários a peso de ouro, levando sempre em consideração um possível resultado vitorioso nas urnas.

Destarte, eis porque a grande maioria da população brasileira, não consegue entender do por que ao assumir o comando da gestão municipal, estadual e federal, os seus titulares não conseguem desenvolver suas ações, projetos e programas independentes ou contemplados por sua equipe de governo, sem interferências; em verdade, ficam atrelados aos apoios construídos em épocas pré-eleitorais.

Recentemente a presidente Dilma Roussef não conseguiu emplacar a recondução de Bernardo Figueiredo como diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, embora diversos fatores tenham contribuído para a “derrota governamental no Senado Federal”, segundo os repórteres políticos nos bastidores o que pesou foi à insatisfação no que tange a liberação de emendas parlamentares, a demora das nomeações de apadrinhados para cargos públicos e a perspectiva de uso da máquina federal para beneficiar o Partido dos Trabalhadores – PT, nas eleições municipais que se avizinham.

Neste mister, o principal ator deste complexo teatro – o eleitor – não possui o atendimento de suas necessidades nas diversas áreas sociais, pois isto passa pelos interesses dos partidos e de seus integrantes, vez que “a barganha, a negociação, a concessão e a composição, fazem parte da natureza política”, segundo o jornalista Otávio Cabral.

Assim a formação de alianças pragmáticas e sem afinidades ideológicas que sempre fez parte da política brasileira, o que para o cientista político Rubens Figueiredo “origina todos os escândalos de corrupção do país”, encontra guarida nas argumentações de seu par, Octaviano Nogueira, também cientista político da Universidade de Brasília que disse “a maior parte dos partidos políticos brasileiros não possuem ideologia e nem projetos para o país, seus principais objetivos são os benefícios que o poder pode lhe oferecer pela base de apoio aos governos”.

Essas mazelas recebem diariamente posicionamentos e posturas que poderiam neutralizá-las – a reforma política do país, mas a grande maioria dos políticos brasileiros evidentemente a vê como ameaça aos seus interesses, destarte, não há o menor esforço em reduzir o número de partidos políticos, aumentar a fiscalização sobre os políticos eleitos, diminuir o apadrinhamento, fim das coligações ou mesmo aproveitamento da base de apoio no Poder Legislativo por parte do Poder Executivo, pois se assim quisessem já teriam discutido e votado essa importante reforma que a sociedade há muito clama.

Pesquisando alguns dados observei que na atualidade o Brasil possui 23 partidos políticos com representação no Congresso Nacional e destes 18 fazem parte da base de apoio do governo Dilma Roussef, sendo que este (governo) possui 23.000 cargos de livre nomeação; comparando esses números aos de nações desenvolvidas, a disparidade nem merece comentário.

Mas como sempre argumento, sempre há uma luz no fim do túnel, com a troca de lideranças no governo federal, no legislativo, o Senador Eduardo Braga, novo líder, orientado pela presidente Dilma Roussef além de restabelecer a interlocução do palácio do planalto com os partidos da base de sustentação do governo, recebe a incumbência de colocar em prática as boas práticas políticas, tentando assim um novo conceito de governabilidade baseado em projetos, eficiência da gestão e meritocracia, o que nos faz acreditar os cuidados que os velhos caciques dos partidos acostumados ao toma lá, dá cá, da política brasileira devem ter a partir de agora.

Oxalá que essa nova postura realmente seja colocada em prática e os resultados possam servir de parâmetros para mudanças, pois são políticos afinados com essa linha de pensamento que a sociedade brasileira espera difundir-se

Finalizando e ainda raciocinando sobre o comentário do Vice-Governador do Estado do Maranhão, Washington Luiz Oliveira, na rede social facebook “Estou cada dia mais convencido da urgência de uma ampla reforma política neste país. No meu entender é necessário o financiamento publico de campanha e lista fechada para cargos proporcionais. Ou fazemos isso ou colocamos em risco a construção do amplo processo de democratização que sonhamos”.

Assim passei a entender um pouco mais desta necessidade nacional.

São Luís-MA, 16 de abril de 2012.


Carlos Augusto Furtado Moreira

8826 4528 – 8138 2760

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