quinta-feira, 12 de julho de 2012

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO POR TODOS, EM CONTRAPOSIÇÃO A VIOLÊNCIA E A CRIMINALIDADE


Nos últimos dias atrás, a imprensa nacional e internacional, deu ênfase em seus principais noticiários ao maranhense Rejaniel dos Santos que há cerca de 20 anos, deixou seu torrão natal para tentar a sorte em São Paulo, lamentavelmente como a grande maioria de nordestinos, o sonho de uma vida melhor, foi por água abaixo e acabou nas ruas catando material reciclável (resultante do lixo dispensado nas ruas).

Juntamente com sua mulher Sandra Domingues, no dia 09 de julho do ano em curso, achara atrás de um ponto de ônibus na Radial Leste, na capital paulista, uma sacola escondida cheia de dinheiro, onde havia várias notas de R$ 100, R$ 50, R$ 20, R$ 10 e moedas, totalizando mais de R$ 20 mil.
Imediatamente, sem nenhuma dúvida, solicitou ao segurança de uma loja das proximidades, para ligar para a polícia, onde informou o achado.

O cabo da Polícia Militar, Pedro Henrique Ghisolfi, que atendeu a ocorrência de pronto deduziu que o dinheiro encontrado poderia ser produto de roubo de um restaurante japonês que fica na região, no bairro do Tatuapé, assaltado na noite anterior, visto que dentro da bolsa havia alguns canhotos de uma loja e do restaurante.

Ainda na delegacia após os esclarecimentos, ao ser questionado pelo repórter policial porque devolvera o dinheiro, Rejaniel retrucou: — Um dinheiro que não é seu, você vai pegar e vai gastar rapidinho, não vai? Agora o dinheiro que é seu, que você suou, você sabe valorizar. Então o dinheiro que não é meu, não me pertence, então vai pro destinatário, o dono. Emendando em seguida: — Se minha mãe (referindo-se a dona Cosminha, que não vê há muito tempo) já assistir isso daqui, pelo menos vai falar: "Esse daí é meu filho". E ela vai ficar com orgulho. Foi uma coisa que ela sempre me pediu. Nunca roubar nada de ninguém. Então se eu achei uma coisa que é roubada, por mais que não tenha sido eu, mas se eu pegasse eu também estava sendo cúmplice.

Por outro lado, Sandra também se posicionando a imprensa, disse: — Que eles reconheçam que a gente achou esse dinheiro. Só isso.

Embora ganhando apenas cerca de R$ 100,00 (cem reais) em média por mês, ficou patenteado nas declarações posteriores que Rejaniel jamais se arrependeu de ter devolvido o dinheiro, mesmo após ser ameaçado, provavelmente por um dos meliantes que escondera o dinheiro.

Os donos do restaurante resolveram como recompensa, oportunizar ao casal, um treinamento para verificar suas habilidades dentro das várias atividades desenvolvidas no estabelecimento, e em princípio começaria trabalhando como garçom. Temporariamente foram alojados em um hotel por conta do restaurante e na medida em que estiver trabalhando, com o salário que Rejaniel deve ganhar, ele conseguirá pagar um aluguel e ter uma vida melhor.

O sócio do restaurante Daniel Uemura pretende usar a atitude de Rejaniel como exemplo. — A honestidade é uma coisa que não tem preço. A gente quer dar apoio e usar o exemplo deles como um fator multiplicador, para que a gente consiga usá-los como exemplo para todos os funcionários, enfim, para o Brasil inteiro, de que as pessoas precisam ser assim.

Analisando bem essa história, na maioria dos países, seria uma história perfeitamente normal. A ação correta de duas pessoas que acharam determinados valores e procuraram devolver aos seus legítimos donos.

Entretanto, quando se trata de nosso país – o Brasil, onde exemplos negativos rotineiramente infestam a nossa sociedade, nos mostrando que os avanços sociais conquistados, palmilham paralelamente com gravíssimos problemas e vícios sociais, deixando-nos a mercê e impotentes diante de uma cristalina inversão de valores.

Casos como estes são raros e quando acontecem chamam a atenção, porque a atual realidade é totalmente diferente. A falta de educação, de ética, do respeito ao próximo e de outros valores, desajustaram as pessoas, impulsionando-as a comportamentos delitivos, mostrando a ausência de traços de caráter e personalidade e ratificando a falta dos verdadeiros valores que deveriam ser adquiridos no seio familiar.

Comumente, os meios de comunicação socializam e destacam em tempo real (a qualquer hora do dia ou da noite e em flashes exclusivos) as ações praticadas pelas pessoas e animais, notadamente as más, em espetaculares e sensacionalistas reportagens recheadas de detalhes minimamente editados a fim de atingir a todos os públicos, sobressaindo-se os crimes, como são perpetrados e os seus modus operandi, quando não são cobertos ao vivo, aproximam-se ao máximo da realidade, não permitindo aos telespectadores qualquer tipo de seleção.

Os meios e fugas utilizados por criminosos após o cometimento de suas ações ou quer seja, no superlotado e desatualizado sistema carcerário (há muito em completa crise) gerando outra série de delitos.

A contínua demonstração da fragilidade de nossa legislação penal, apontando calorosamente as suas falhas, beneplácitos, bem como a significativa quantidade de recursos, estimulantes a continuidade do cometimento de práticas delitivas.

A contaminação dos agentes sociais – funcionários públicos – em todas as esferas de poder através da corrupção (um dos maiores males do século) e outros comportamentos indignos como a violência policial.

O incentivo ao ócio estimulado pelos governos, através de seus programas e ações “político-paternalistas”, (minha visão objeto de outra análise mais aprofundada) na busca de uma constante dependência criando seríssimos problemas de natalidade e impulsionando mais pessoas ao cometimento de outros crimes.

O marketing consumista levando pessoas a verdadeiros suicídios financeiros, comprometendo familiares, patrimônios e suas vidas.

A exarcebação na tentativa de ganhar dinheiro fácil, com mirabolantes e criminosas estratégias atingindo seres humanos de todas as idades.

A ganância pelo poder, cegando, traindo e dilacerando as relações humanas.

A proliferação das drogas, renovando-se em laboratórios clandestinos e aumentando seu poder viciante e destrutivo.

São tantos os desvios de conduta a minarem o lado bom e altruísta das pessoas, mas de certo que a banalização da vida, mostra a mais dura e cruel realidade, onde a vida é ceifada sem nenhuma justificativa, pela simples vontade do agente delitivo, demonstrando que a sociedade está perdendo o seu rumo.

A Colunista do Diário do Vale, Eliane Sapede, na página http://diariodovale.uol.com.br/noticias/0,54188,Inversao-de-valores.html#ixzz20R9KW64P, ficou estarrecida com uma afirmação: "Espere sempre o pior das pessoas, pois o que vier de bom é lucro!". Comentando assustada: Como alguém pode sobreviver emocionalmente pensando que todas as pessoas são ruins?!

É preciso que exemplos como o de Rejaniel e de Sandra, deixem de ser exceção, e passem a ser o sacerdócio de todas as classes, comportamentalmente, de todas as pessoas, afinal, somos iguais perante a lei (CF, Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:...) e perante a DEUS, pois somos criaturas formadas à imagem e semelhança dele o único onipotente, onipresente e onisciente (princípio bíblico).

Nascemos para ser felizes, conforme o rumo que dermos para as nossas vidas.

São Luís – MA, 12 de julho de 2012.

Carlos Augusto Furtado Moreira
(98) 8826 4528 – 8138 2760
Especialista em Gestão Estratégica e Defesa Social, Bacharel em Direito e Licenciado em História

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