segunda-feira, 21 de abril de 2014

A SOCIEDADE BRASILEIRA DESESPERADA GRITA: CHEGA DE TANTOS ABUSOS


Cansada de tantos abusos dentro de um panorama lamentável que envolve a desigualdade da sociedade brasileira, o povo ocupa as ruas para protestar.

Nos últimos dias temos acompanhado pessoas de vários municípios brasileiros se posicionando contra a corrupção, falta de segurança pública, má qualidade da saúde, do ensino e tantas outras mazelas que nos últimos tempos tem atormentado a sociedade brasileira.
O estopim foi o aumento deflagrado nos transportes públicos, estes, de péssima qualidade, em quantidades insuficientes que além de não conseguirem transportar a população, a desrespeita, não cumprindo horários, com veículos que apresentam problemas e constantemente a frota se vê paralisada por greves de funcionários, causando mais desconfortos e prejuízos, deixando demonstrado claramente que só tem ganhado nessa atividade (essencial) são os empresários do setor.

Esse “mote” foi à gota d’água que estava faltando para impulsionar a população a lançar-se as ruas para exercer os seus mais lídimos direitos – protesto e a exigência de melhorias.
O acúmulo dos problemas que diariamente são trazidos ao conhecimento da população, tem a sua maior matiz nos fatos lamentáveis que envolvem a política brasileira, onde tornou-se comum a assunção de pessoas em importantíssimos cargos com as chamadas “ficha-sujas”, a grande maioria despreparados, mas devidamente apadrinhados pelo poder nacional e que descomprometidos com a sociedade, os utilizam de forma indevida envolvendo-se em falcatruas, apossando-se dos recursos públicos de forma vil, desviando de sua destinação para a saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e outros, conseguindo saírem-se ilesos da responsabilização em razão de uma legislação deficitária, falha e complacente.

É no dizer da escritora Lya Luft que muito bem questiona a respeito desses representantes: ... e nós aqui do vale dos comuns mortais não sabemos o que dizer, o que pensar, o que esperar; que esperança, aliás, deveríamos ter? Quem vai nos socorrer, nos confortar, quem nos comanda? Que autoridades controlam nosso país, que deputados e senadores, que ministros? Serão todos altamente corretos, altamente experientes, competentes, conhecedores das atribuições e do alcance do seu cargo? Ou muitos são medíocres, sem noção do que fazem, amedontrados e de cabeça abaixada, sem saber o que fazem ali? Que fim levou à ética, responsabilidade, seriedade entre nós?
Vivemos momentos de total insegurança, com órgãos sucateados, sem o seu material mais importante – o ser humano em quantidades necessárias e devidamente preparados para exercer o seu mister, e os operadores existentes trabalhando com armas e equipamentos obsoletos e em quantidades insuficientes, recebendo salários incompatíveis com a importância de suas funções, além de serem obrigados a exercerem uma carga de trabalho muito além do que determina a própria legislação trabalhista nacional, sob a égide de uma normatização ultrapassada (regulamentos arcaicos, respaldados por leis e decretos de um período de exceção) e o aumento estratosférico da violência e da criminalidade, sem oportunizar a população defender-se ou a quem recorrer.

A educação conduzida sem critérios sob a égide de uma política que exija o nivelamento dos jovens iguais às nações mais desenvolvidas, com o preparo aquém do necessário ao ensino fundamental e que proporcione condições de acesso com conhecimentos compatíveis, fazendo com que os ensinamentos recebidos agonizem em suas próprias deficiências, aliados principalmente à falta de escolas, professores mal remunerados e relativamente inabilitados, estrutura escolar deficiente onde falta tudo: carteiras, bibliotecas, equipamentos e instalações físicas degradantes, formando jovens deficitariamente, os quais enfrentam significativas dificuldades para acessarem os degraus escolares seguintes.
Uma saúde pública que não consegue atender com eficiência e eficácia os males da população que sofre nas filas intermináveis para conseguir uma consulta com especialistas e que em algumas oportunidades ultrapassam a metade de um ano, com remédios cada vez mais caros, aquém da maioria da população, e aqueles que possuem a condição de pagarem um plano de saúde enfrentando o lobby dos poderosos do setor, o que desrespeita frontalmente as determinações da agência reguladora - ANS.

Aliado a isso, uma gama significativa de exemplos negativos de corrupção enveredada em todos os setores públicos, corroendo a administração brasileira em todas as esferas (federal, estadual e municipal), como um câncer que enfraquece todo um organismo levando a um estágio terminal.
É sob esse manto que a população sai para as ruas, sacudindo esse país de norte a sul, demonstrando sua indignação e que renega a participação de qualquer partido político e de qualquer representante sindical, pois a credibilidade em geral está desgastada, fazendo com que o poder público aceite inclusive os excessos (pois nestes momentos aparecem infiltrados – meliantes comuns – que se aproveita para praticarem atos de vandalismo e crimes de dano ao patrimônio público e privado).

Tudo isso demonstra que um gigante adormecido, como circula nas redes sociais e que estava deitado eternamente em berço esplêndido – agora grita – um povo heróico, o brado retumbante.
Os primeiros resultados já são sentidos – prefeituras municipais voltam atrás em aumentos e reduzem preços das passagens de ônibus coletivo, com certeza outros resultados serão conquistados. Recursos para cobrir, não faltam – bastam que os desvios voltem aos cofres públicos.

São Luís-MA, 20 de junho de 2013.
TEN CEL PMMA CARLOS AUGUSTO FURTADO MOREIRA

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