sábado, 24 de maio de 2014

A IMPORTÂNCIA DAS CRIANÇAS


As crianças sempre me despertaram sentimentos nobres, ora pela fragilidade, pureza e às vezes por serem indefesas ou mesmo por me surpreenderem, portanto, dignas de minha consideração, respeito e carinho.

Neste 12 de outubro – dia dedicado a elas, mais uma vez fui buscar informações de como surgiu o Dia das Crianças.

Universalmente a data é comemorada no dia 20 de novembro, vez que no ano de 1959, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF oficializou a Declaração dos Direitos da Criança, estabelecendo que toda criança deveria ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento, principalmente referente à alimentação, amor e educação.

Cada país comemora em uma data diferente, variando em função da história e o significado da comemoração.

No Brasil no ano de 1923, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, ocorreu o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. No ano seguinte, aproveitando a recente realização do evento, o deputado federal Galdino do Valle Filho, elaborou um projeto de lei que estabelecia essa nova data comemorativa, a qual foi aprovada pelos deputados e oficializada pelo presidente da república Arthur Bernardes, através do decreto nº 4.867, de 05 de novembro de 1924, o qual instituiu assim o dia 12 de outubro como data oficial para comemoração do Dia das Crianças.

Infelizmente só a partir de 1955, a data começou a ser celebrada. Uma campanha de marketing elaborada pela indústria de brinquedos Estrela, através do seu diretor comercial, Eber Alfred Goldberg, lançou a chamada “Semana do Bebê Robusto”, coroada de sucessos e que atraiu a atenção de outros empresários ligados à indústria de brinquedos.

Com isso, foi lançada uma campanha publicitária promovendo a “Semana da Criança” com o objetivo de alavancar as vendas, sendo que os bons resultados fizeram com que esse mesmo grupo de empresários revitalizasse a comemoração do “12 de outubro - Dia das Crianças” criado pelo deputado Galdino, passando a incorporar o calendário de datas comemorativas do país.

É uma data festiva em que aos nossos filhos, netos, afilhados e crianças ligadas ao nosso rol de amizades proporcionamos presentes, passeios e momentos divertidos, entretanto, ainda existe uma realidade totalmente inversa e perversa que nos deixa entristecidos e impotentes (meninos e meninas de rua, envolvido com as drogas, desnutridos, fora da escola, sem saúde e marginalizados), nascidos em circunstâncias adversas, sem oportunidades, sem comida e às vezes até sem chances de sobreviver.

Como profissional da Polícia Militar do Maranhão, tive o privilégio de após a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em 13 de julho de 1990, ser escolhido como oficial da instituição para divulgar a nova lei em todo o Estado do Maranhão, integrando uma equipe multi-institucional composta por membros do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, ex-Fundação Nacional do Bem Estar do Menor – FUNABEM e depois Centro Brasileiro para Infância e Adolescência - CBIA, ex-Fundação Estadual do Menor – FEBEM, Movimento Pró-Meninos e Meninas de Ruas de São Luís, UNICEF, Pastoral da Criança e outros, lembrando com carinho dos companheiros daquela missão que durou todo o ano de 1991: Dep. Est. José Costa, atual Juiz da Infância e da Juventude, Assistentes Sociais Magnalva (in memorian) e Eliane Aranha, Denise Albuquerque, Maria José Bacelar e tantas outras que defendia os direitos das crianças, como se elas fossem seus próprios filhos.

Em minhas palestras, costumava contar um episódio acontecido na década de 1940 que ilustrava bem o aspecto civilizatório relativo às crianças.

Um grupo de índios xavantes – povo então recém-descoberto – é levado ao Rio de Janeiro para conhecer a civilização. Após verem tantas coisas que os aturdia, os silvícolas, intrigados, indagavam ao sertanista que os ciceroneava como se abastecia aquela gente toda: donde lhes vinham à carne, as frutas, os legumes, etc. O sertanista os leva então a um grande mercado, o CEASA da época e se orgulha em exibir-lhe as imensas pilhas de hortifrutigranjeiros que entulhavam o pavilhão. Subitamente escuta-se um grito xavante de reunir. Todos os índios acorrem para o lugar do grito. Quando o sertanista chega ali, depara com uma cena inusitada: todos em roda, os xavantes, contemplavam atônitos um menininho que comia restos de lixo no chão do empório. Inquirido, o sertanista só pode informar que a criança devia ser de família muito pobre e certamente sobrevivia daquela forma. A visita perdeu toda a graça para os xavantes. Só no regresso à tribo, o sertanista compreendeu porque antes de dizer uma palavra sequer sobre as maravilhas da nossa civilização, os xavantes emocionados, relataram a cena do menininho comendo lixo. Fora o que mais impressionara na “civilização” do homem branco. Para esse povo que julgávamos “selvagem”, a criança era sagrada. Ela passava antes de tudo e de todos.

Passados vários anos, continuamos com a situação de milhões de crianças desassistidas pelo poder público que não tem nada a comemorar no dia dedicado a elas.

Reflitamos.

São Luís-MA, 12 de outubro de 2013.

TEN CEL PMMA CARLOS AUGUSTO FURTADO MOREIRA
Especialista em Gestão Estratégica em Defesa Social, Pós-graduado em Superior de Polícia e Aperfeiçoamento de Oficiais, Licenciado em História e Bacharel em Direito

Algumas fontes:
http://www.portaldafamilia.org/datas/criancas/origemdcriancas.shtml
http://guiadobebe.uol.com.br/a-origem-do-dia-das-criancas/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_da_Crian%C3%A7a
http://www.brasilescola.com/dia-das-criancas/a-origem-dia-das-criancas.htm

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